Ações da Gafisa (GFSA3) disparam quase 50% após venda de hotel e ‘vitória’ sobre gestora

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Os papéis da Gafisa (GFSA3) iniciaram 2023 em disparada. Nesta segunda-feira (2), primeiro pregão do ano, as ações da construtora subiam 51%, cotadas a R$ 14,93, por volta de 17h10. O movimento vai na contramão do Ibovespa, que recua 3,14%, aos 106.292 pontos.

Dois grandes fatores norteiam a recente alta, a terceira consecutiva acima dos 20%.

O primeiro deles foi o anúncio da venda de sua participação no empreendimento Fasano Itaim, em São Paulo. A notícia foi divulgada após o último pregão do ano passado, na quinta-feira (29). Como não houve sessão desde então, o mercado estava com o ajuste na cotação “represado”.

“Visualizamos esse movimento como positivo pelo fato de que demonstra a capacidade de execução da companhia na restruturação de ativos”, afirma o analista Lucas Lima, da VG Research.

A Gafisa negociou uma fatia correspondente a 80% do Fasano Itaim e a venda envolve também a operação do hotel, de R$ 330 milhões, incluindo a assunção de dívidas de R$ 246,6 milhões. A construtora havia adquirido a participação no fim de 2020 por R$ 310 milhões.

Outra alavanca para alta vem dos desdobramentos de uma briga judicial entre Gafisa e a Esh Capital. A gestora questiona o aumento de capital da companhia, pede a saída da administração da empresa e tentou marcar uma assembleia geral de acionistas para esta segunda, porém uma decisão da Justiça de São Paulo manteve a data proposta pela construtora, em 9 de janeiro.

“Nesse contexto, há a probabilidade dessas discussões estarem fomentando um short squeeze pelo fato dos acionistas da Gafisa estarem retirando a disponibilidade do aluguel de suas ações para poderem votar na Assembleia, o que termina implicando em uma compra forçada pelos investidores que estavam “short” [vendidos] no papel”, acrescenta Lima.

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Entenda o caso

A Esh Capital, por meio de seu fundo Esh Theta, é um acionista relevante da Gafisa, possuindo 15,1% de seu capital social. A gestora, comandada pelo investidor Vladimir Timerman, tem investido contra as decisões do empresário Nelson Tanure, controlador da companhia, dentro da empresa.

O início da última crise ocorreu em 25 de novembro, quando o conselho de administração da Gafisa aprovou um aumento de capital de R$ 150 milhões, o que poderia diluir a participação da Esh na empresa, caso não exerça o direito de preferência. No dia 30 do mesmo mês, a gestora pediu a convocação de uma AGE para questionar os rumos da empresa e cancelar o aumento de capital.

Além disso, há pedidos também para responsabilização judicial contra os administradores e membros do conselho fiscal da companhia pelos prejuízos causados à Gafisa entre 2019 e 2022. Também solicita a destituição dos membros dos conselhos de administração e fiscal, além da eleição de novos administradores.

Em 8 de dezembro, o conselho de administração da Gafisa autorizou a convocação da assembleia geral, mas sem estipular uma data. Após quatro dias sem retorno, a Esh decidiu usar sua prerrogativa para convocar a AGE em 2 de janeiro, o que foi questionado pela construtora.

Com isso, a Gafisa entrou na CVM para pedir a anulação da data e marcou o encontro para 9 de janeiro. No entanto, no entendimento da autarquia, a Esh tinha o direito de convocar o encontro a partir do momento em que o conselho de administração acolheu um pedido feito há mais de oito dias pela gestora (diferença entre 30 de novembro e 8 de dezembro).

Apesar disso, a construtora obteve liminar no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para realizar a assembleia no dia 9 de janeiro.

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