Dólar: economistas incorporam prêmio de risco e veem real mais fraco em 2024 e 2025

1 week ago 84

O dólar teve sessões de alívio recente após chegar a bater R$ 5,70 no início do mês, voltando ao patamar dos R$ 5,40, mas os dias de volatilidade devem continuar, principalmente de olho no noticiário fiscal.

Em recentes relatórios, casas como XP, Santander e Bradesco revisaram as suas projeções para o câmbio em meio à recente depreciação da moeda nacional, que caiu cerca de 8% somente em junho e mais de 13% no primeiro semestre de 2024, desempenho muito inferior ante os pares emergentes.

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“A dinâmica reflete a piora na percepção de risco sobre a condução da política econômica doméstica. As preocupações acerca da sustentabilidade do arcabouço fiscal se intensificaram, dado o aumento acima do esperado das despesas obrigatórias e sinais de esgotamento do ajuste das finanças públicas pelo lado das receitas. Ademais, há questões de credibilidade da política monetária nos próximos anos, com dúvidas crescentes sobre a reação do Banco Central a eventuais pressões políticas em torno das decisões de juros”, aponta a XP.

A XP revisou assim a previsão de taxa de câmbio para o fim de 2024 de R$ 5 para R$ 5,40 e para o fim de 2025 de R$ 5,15 para R$ 5,40, assumindo que parte do incremento de prêmio de risco será permanente.

O Santander, por sua vez, passou a projetar que o dólar terminará 2024 cotado em R$ 5,30, ante projeção anterior de R$ 5. No caso do fim de 2025, a projeção para o dólar passou de R$ 5,05 para R$ 5,40.

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O Bradesco revisou as projeções para o câmbio de R$ 5,10 e R$ 4,80 para o fim de 2024 e 2025, respectivamente, para R$ 5,30 e R$ 5,10. “Além do patamar atual do mercado cambial, as novas projeções também consideram dois cortes de juros pelo Federal Reserve, o efeito do crescimento do quantum das importações – maior do que o esperado e puxado pelo crescimento do consumo – e das remessas de lucros e dividendos”, avalia a equipe econômica do banco.

O banco ressalta que as últimas semanas foram marcadas por expressiva desvalorização do real e pressão significativa sobre a curva de juros, também apontando que o movimento teve como origem o conjunto de dúvidas quanto aos rumos da política monetária e fiscal e a eventual inconsistência entre elas. Para os economistas do Bradesco, esses temores parecem exagerados, de um modo geral, dados os fundamentos da economia, mas só ações concretas os interromperão.

“Assim, em nosso cenário base, partimos do pressuposto de que a piora dos preços dos ativos será parcialmente revertida. Isso deve ocorrer à medida em que: 1) a política fiscal venha a ser implementada de forma a atenuar a piora das expectativas; 2) a condução da política monetária e a comunicação do Banco Central sejam percebidas como essencialmente técnicas; e 3) os bons fundamentos da economia se manifestem nos indicadores. No entanto, a persistência do quadro de aversão ao risco afeta o cenário. Mesmo partindo do pressuposto de que as ações concretas dos próximos meses reduzirão a pressão sobre os mercados, nossa escolha foi incorporar uma parte dessa incerteza e aumento de riscos nos números”, avalia.

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(Com Reuters)

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