EUA verão novo 'pico de inflação' - 5 coisas para saber sobre o Bitcoin esta semana

1 year ago 63

O Bitcoin (BTC) começa a primeira semana de 2023 em uma posição pouca inspiradora, já que a volatilidade permanece distante - junto com os traders.

Depois de não conseguir se mover durante as férias de Natal e Ano Novo, a ação de preço do BTC permanece travada em uma faixa estreita.

Tendo selado perdas anuais de quase 65% em 2022, o Bitcoin provavelmente testemunhou um ano clássico de mercado de baixa, mas, por enquanto, poucos estão confiantes para prever uma recuperação.

A situação é complexa para o hodler médio, que está atento aos gatilhos macro, cortesia do Banco Central dos EUA (Fed), e ao impacto da política econômica na força do dólar.

Antes do retorno de Wall Street em 3 de janeiro, o Cointelegraph analisa os fatores em jogo quando se trata da ação de preço do BTC na próxima semana e além.

Traders do Bitcoin temem novas mínimas em meio a preços estagnados

Os hodlers do Bitcoin podem estar desejando volatilidade, mas até agora, a ação de preço do BTC permaneceu claramente em coma, mostram dados do Cointelegraph Markets Pro and TradingView.

Parece que nada - negociações de baixo volume no Natal, fechamento trimestral e anual de velas e até mesmo impressões de dados macro antes disso - é capaz de mudar o status quo.

Como o Cointelegraph relatou, a volatilidade do Bitcoin conseguiu atingir novos recordes de baixa no período que antecedeu o final do ano, de acordo com o índice histórico de volatilidade do Bitcoin (BVOL).

Gráfico semanal do índice histórico de volatilidade do Bitcoin (BVOL). Fonte: TradingView

Olhando para o futuro, os traders estão conservadores quanto ao que está reservado para o BTC/USD, já que os sinais de uma mudança fundamental permanecem totalmente ausentes do comportamento do mercado.

“Basta um pequena recuperação a partir da resistência para deixar todos otimistas novamente. Essa mesma armadilha tem acontecido durante todo o ano de 2022, mas as pessoas não aprendem”, argumentou Il Capo of Crypto:

“12k é bem provável.”
Gráfico anotado BTC/USD. Fonte: Il Capo of Crypto/ Twitter

Seus comentários vieram junto com uma modesta alta para o Bitcoin, que ultrapassou US$ 16.700 pela primeira vez em vários dias.

Gráfico de 1 hora BTC/USD (Bitstamp). Fonte: TradingView

O alerta foi reforçado pelo popular trader e analista Pentoshi, que também sinalizou US$ 12.000 como uma zona de suporte chave para o Bitcoin revisitar em termos de volume em prazos mais altos.

Gráfico anotado BTC/USD. Fonte: Pentoshi/ Twitter

O colega analista Toni Ghinea, enquanto isso, mais uma vez dobrou sua aposta para um fundo de US$ 11.000 a US$ 14.000 para o par BTC/USD.

“Esperando que todos esses níveis sejam alcançados em 2 a 3 meses”, confirmou em um comentário no Twitter em 1º de janeiro.

Michael Burry alerta que inflação vai retornar

Faltando uma semana para a impressão do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos para o mês de dezembro, os primeiros dias de janeiro serão relativamente calmos quando se trata de catalisadores de preços macroeconômicos para o BTC.

Isso não significa que não há nada para se observar, no entanto, já que o Índice de Gerentes de Compras (PMI) e os dados da folha de pagamento não agrícola são esperados na próxima semana.

A tendência de curto a médio prazo continua sendo de queda da inflação, de acordo com a FedWatch Tool do CME Group, o que, por sua vez, permite que os ativos de risco tenham espaço para manobra.

O Banco Central dos EUA (Fed) ainda não sinalizou que vai pivotear em seus aumentos nas taxas de juros, apesar do ritmo desses aumentos já ter começado a cair. Assim que esses sinais chegarem, o sentimento em torno dos ativos de risco deve se fortalecer acentuadamente.

Gráfico de probabilidades de taxa-alvo do Fed. Fonte: CME Group

O Fed divulgará as atas de sua reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) em 4 de janeiro, fornecendo orientações claras sobre a política monetária daqui para frente.

Para o investidor do “Big Short”, Michael Burry, no entanto, mesmo esse cenário mais permissivo não é o fim da história da inflação.

“A inflação atingiu o pico. Mas não é o último pico deste ciclo”, alertou em uma postagem publicada em 2 de janeiro:

“É provável que vejamos o CPI mais baixo, possivelmente negativo no segundo semestre de 2023, e os EUA em recessão por qualquer definição. O Fed cortará [os juros] e o governo estimulará [a economia. E teremos mais um pico de inflação. Não é díficil."

Os resultados da política do Fed foram claros para o desempenho do mercado de ações em 2022, com o S&P 500, por exemplo, terminando o ano 1.000 pontos abaixo de muitas das estimativas mais populares.

Enquanto os mercados aguardam o primeiro dia de negociação em Wall Street em 2023, o índice do dólar aponta para o que pode ser a primeira notícia positiva do ano para os criptoativos.

O Índice do Dólar Americano (DXY) está atualmente ameaçando cair abaixo de um suporte incontestado por mais de seis meses, após o qual o nível de 100 pontos volta a entrar em jogo.

“Mercados: DXY à beira de quebrar novamente, rendimentos de 10 anos atingindo a resistência, petróleo bruto WTI recuperou a resistência, ouro parou na resistência, ações pisando na água”, resumiu Callum Thomas, fundador e chefe de pesquisa da empresa de pesquisa macro Top Down Charts, em um comentário no Twitter.

Gráfico semanal do índice do dólar americano (DXY). Fonte:TradingView

Dificuldade deve cair em meio a dados sombrios da taxa de hash

No mundo dos fundamentos do Bitcoin, tudo está normal no início deste ano.

O próximo ajuste de dificuldade do Bitcoin, previsto para 3 de janeiro, eliminará os ganhos obtidos duas semanas antes, em um sinal de que os mineradores permanecem sob pressão em função da ação de preço do BTC.

Depois de subir 3,27% em 19 de dezembro, a dificuldade cairá cerca de 3,5% nesta semana, de acordo com dados do BTC.com, falhando assim em selar novas máximas históricas.

Visão geral dos fundamentos da rede do Bitcoin (captura de tela). Fonte:BTC.com

Os dados de dificuldade por si só fornecem uma visão interessante sobre a saúde do Bitcoin "nos bastidores" - apesar das preocupações com a estabilidade financeira dos mineradores, a competição por subsídios de bloco permanece visivelmente alta.

Dito isso, os dados do final de dezembro capturaram um instantâneo sombrio para o participante médio da rede, com a taxa de hash – uma estimativa do poder de processamento agregado dedicado à mineração – atingindo seus níveis mais baixos do ano.

“Esta é de longe a capitulação mais brutal dos mineradores de Bitcoin desde 2016 e possivelmente de todos os tempos”, comentou Charles Edwards, fundador da Capriole Investments, na época:

“A capitulação do Hash Ribbons capturou a leitura mais baixa da taxa de hash do Bitcoin em 2022, com os mineradores falindo e inadimplentes sob a grande pressão de margens globalmente apertadas.”
Gráfico anotado de Hash Ribbons do Bitcoin. Fonte: Charles Edwards/ Twitter

Um gráfico anexo mostrou o indicador Hash Ribbons do Bitcoin entrando em outra zona de “capitulação”, na qual os mineradores desligaram suas máquinas provocando uma queda massiva da taxa de hash. Um evento semelhante ocorreu em julho de 2022 e outro um ano antes disso.

Como o Cointelegraph relatou, as mineradoras públicas de Bitcoin também continuam a sentir a pressão, com a Core Scientific obtendo um empréstimo para tentar evitar sua falência  de quase US$ 40 milhões de credores, incluindo a BlackRock.

Suprimento de BTC está sonolento

Como a volatilidade permanece ausente do Bitcoin por semanas a fio, é compreensível que haja pouco ímpeto de venda entre os hodlers.

Os dados mais recentes on-chain apóiam essa teoria, com o suprimento de BTC tornando-se cada vez mais inativo à medida que os especuladores se afastam do mercado.

De acordo com a empresa de análise on-chain Glassnode, a quantidade de BTCs estacionados nos últimos cinco a sete anos atingiu o nível mais alto desde janeiro de 2018.

Suprimento de BTC ativo entre 5 e 7 anos atrás. Fonte: Glassnode/ Twitter

Essa tendência vigorou durante grande parte do ano passado, já que aqueles que compraram BTC no último ciclo de baixa viram seus preços de compra retornarem.

À medida que o suprimento envelhece, o volume de moedas que se movem em uma base de curto prazo também diminui, sugerindo uma ausência de movimentos especulativos instintivos.

A quantidade do suprimento de BTC ativo pela última vez entre três e seis meses atrás está agora em mínimas de cinco anos, confirma a Glassnode. O suprimento ativo entre três e cinco anos atrás está agora em mínimas de um ano.

Suprimento de BTC ativo entre 3 e 6 meses atrás. Fonte: Glassnode/ Twitter

“A oferta está ficando rara novamente”, o recurso de análise Stockmoney Lizards declarou com referência a dados de dormência semelhantes registrados no final do mês passado.

Um gráfico anexo mostrou a relação entre o suprimento inativo em relação às máximas e mínimas macro para a ação do preço do BTC.

Gráfico anotado BTC/USD. Fonte: Stockmoney Lizards/ Twitter

Sentimento vagueia em uma terra de ninguém

Em um sinal semelhante de que muitos participantes do mercado simplesmente não sabem como reagir ao futuro dos criptoativos, o sentimento não está aqui nem ali.

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Uma leitura do popular medidor do sentimento do mercado, o Índice de Medo e Ganância, mostra que os traders continuam a surfar em território logo acima do “medo extremo”.

Uma história que já perdura desde o colapso do FTX mostra que o sentimento indica que os traders parecem confusos sobre o quão ruim é o estado do mercado de criptomoedas neste momento.

Das cinco faixas de sentimento do Índice, apenas o “medo” perdurou nas últimas semanas, com a última viagem mais profunda ao “medo extremo” tendo ocorrido no final de novembro.

O Índice e Medo e Ganância pode oferecer informações importantes sobre a atividade do mercado com base no comportamento dos investidores. Em 2022, atingiu mínimas de 6/100, uma pontuação raramente vista na história do Bitcoin.

“Apesar de um 2022 brutal para as criptomoedas em termos de sentimento, nunca estive tão entusiasmado com a indústria a longo prazo do ponto de vista dos fundamentos”, concluiu Daniel Cheung, cofundador da empresa de investimentos Syncacy Capital, em uma thread no Twitter publicada em 1º de janeiro.

Índice de Medo e Ganância das criptomoedas (captura de tela). Fonte: Alternative.me

As visões, pensamentos e opiniões expressas aqui são exclusivas dos autores e não necessariamente refletem ou representam as visões e opiniões do Cointelegraph.

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