Gabriel Galípolo, número 2 de Haddad, fala em rever gastos para reduzir o déficit previsto

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Política

Janize Colaço

por 04/01/2023 14:12 Atualizado em: 04/01/2023 14:28

Gabriel Galípolo, número 2 de Haddad, fala em rever gastos para reduzir o déficit previstoGabriel Galipolo. Foto: Divulgação

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Gabriel Galípolo, afirmou ontem (3) que o novo governo deverá rever renúncias fiscais e gastos para reduzir o déficit previsto para as contas públicas neste ano. Em entrevista à GloboNews, o número 2 de Haddad defendeu que o novo arcabouço fiscal olhe tanto para a arrecadação quanto para os gastos.

O secretário destacou que a pasta não pretende executar o déficit que está previsto. O Orçamento de 2023, aprovado pelo Congresso, estima um déficit primário de R$ 231 bilhões. “Arcabouço fiscal é termo melhor do que âncora fiscal. Arcabouço é mais amplo porque endereça os problemas”, afirmou.

Ainda segundo Galípolo, a discussão sobre o tamanho do Estado é interminável, mas, no Brasil, a estrutura de arrecadação tende a tributar de maneira igual os desiguais. “A estrutura tributária é muito regressiva e é caótico. A simplificação do sistema tributário e regressividade entram na reforma tributária e no arcabouço.”

O vice-ministro da Fazenda, como é chamado por Fernando Haddad, também disse que não existem políticas fiscal, monetária e tributária separadas. Além disso, um “plano de voo” deverá ser apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva com as sugestões para reduzir o déficit público.

Planos no curto e longo prazo

Galípolo afirmou, ainda, que há planos de curtíssimo prazo e para prazo mais longo do ponto de vista fiscal. Sobre os combustíveis, ele disse que o custo anualizado da desoneração federal da gasolina é de cerca de R$ 30 bilhões e do diesel, de R$ 18 bilhões.

No entanto, houve uma avaliação de que, devido à matriz de transporte rodoviário, o custo dos combustíveis afetariam o preço de produtos básicos para a população. O novo governo Lula editou uma medida provisória para ampliar a desoneração da gasolina até o fim de fevereiro e do diesel até o fim do ano.

Galípolo afirmou que há uma série de renúncias fiscais que estão sendo analisadas com todo o governo. Há também uma avaliação da qualidade do gasto, como o que ocorreu com a mudança do Auxílio Brasil, que gerou o aumento de famílias mononucleares, já que o benefício era dado por família. Segundo ele, é preciso passar o pente fino nas políticas do ministério para entender como estão funcionando as coisas. “Estudamos como mitigar e reduzir o déficit fiscal previsto para 2023”, disse, em entrevista à Globonews.

Ele ainda afirmou que o plano de voo de curto prazo será apresentado a Lula o quanto antes. No médio prazo, por sua vez, virão as medidas como a reforma tributária, o novo arcabouço fiscal, as parcerias privadas e outros tipos de investimento, disse Galípolo.

Segundo o secretário-executivo, as sinalizações da Fazenda virão com o tempo, mas o perfil da reforma tributária já é transparente, citando que o economista Bernard Appy, autor de uma das propostas que estão no Congresso, não foi escolhido para a secretaria que vai cuidar da reforma à toa. Além disso, o ministro já sinalizou que é favorável aos textos que estão tramitando no Legislativo. “Há condições de dizer esquema e escalação de jogo, mas só jogo dirá o que será possível”, disse, ponderando que a discussão sobre a reforma tributária já chegou à “maturidade”.

Com informações do Estadão Conteúdo

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