Ibovespa fecha em alta de 1,12% após cair 5% nas duas primeiras sessões do ano, com política guiando de novo o mercado

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O Ibovespa teve nesta quarta-feira (4) seu primeiro dia de ganhos em 2023, fechando em alta de 1,12%, aos 105.334 pontos. O principal Índice da Bolsa brasileira, após cair mais de 5% nos dois primeiros dias de mandato do novo presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, repercutiu principalmente notícias internas e conseguiu ter uma performance melhor do que a registrada pelos principais benchmarks americanos.

Entre os destaques do pregão, ficou a fala de Jean Paul Prates (PT-RN), novo presidente da Petrobras (PETR3;PETR4), que descartou uma intervenção direta na política de preço da estatal e afirmou que “elevar a capacidade de refino da companhia não é igual construir novas refinarias”.

“Petrobras subiu bem hoje e só não subiu mais porque o petróleo cai 5% lá fora. O discurso de Prates foi forte e de acordo com o que o mercado gosta de ouvir. Disse que não vai ter intervenção nos preços da gasolina, o que os investidores viram de forma muito positiva”, explica Rodrigo Cohen, co-fundador da Escola de Investimentos.

As ações ordinárias e preferenciais da Petrobras subiram, respectivamente, 1,67% e 3,18% e foram destaque entre as altas por peso do Ibovespa.

João Negrão, especialista da SVN Investimentos, chama a atenção também para a declaração do ministro da Casa Civil, Rui Costa, que negou que o governo está avaliando revisão de reformas – como antes declarado por Carlos Lupi, ministro da Previdência.

“O Ibovespa tem drivers [catalisadores] no cenário macro e no micro. Internamente, é a questão da política fiscal que chama mais atenção, com o mercado se perguntando se teremos mudanças na política monetária”, contextualiza Luiz Adriano Martinez, gestor de renda variável da Kilima Asset. “O governo está precisando mostrar as medidas que irá tomar para compensar as despesas aprovadas na PEC da Transição, que somam quase 2% do PIB”.

As sinalizações dadas não somem com os temores, mas ao menos ajudam a dispersar o receio das últimas sessões de risco fiscal em alta. Uma revisão da reforma da previdência provavelmente aumentaria os gastos públicos. Já mudança de política de preços da Petrobras minguaria o faturamento do Governo Federal, seu maior acionista, pelos impactos nos dividendos.

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Olhando para frente, houve uma diminuição dos temores, mas ainda há receio a agenda econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Os discursos de Haddad mostram uma abordagem considerada ‘amigável’ ao mercado, abordando temas como responsabilidade fiscal e reforma tributária. No entanto, a falta de sinalizações mais concretas, como, por exemplo, a nova âncora fiscal, tem frustrado os operadores”, disse a Levante Investimentos em relatório.

A curva de juros brasileira, com isso, fechou em queda. Os DIs para 2024 fecharam em uma taxa de 13,75%, com menos quatro pontos-base, e os para 2025, a 13,21%, com menos 8,5 pontos. Os DIs para 2027 e 2029 perderam, respectivamente, cinco e quatro pontos, a 13,23% e 13,24%.

“Se não há sustentabilidade fiscal, não há convergência das expectativas de inflação. A gente, analisando a Bolsa, continua a ver um Ibovespa bastante descontado, mas isso só será destravado com uma mudança de postura do governo em relação a esses pontos”, acrescenta Martinez.

Com a folga na curva de juros, companhias ligadas ao mercado interno foram destaque entre as altas do Ibovespa. Os papéis ordinários da Natura (NTCO3) ganharam 8,89%, os da CVC, 6,78%, e os do GPA (PCAR3), 4,89%.

Ajudou também a tirar pressão dos setores a perspectiva de menor crescimento da economia global, que derrubou o preço das commodities e, sucessivamente, as curvas de juros em todo o mundo. Nos Estados Unidos, os treasuries yields para dez anos perderam 11,3 pontos, a 3,679%, e os para dois anos, cinco pontos, a 4,355%.

Nem mesmo a publicação de uma ata do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc na sigla em inglês) mais dura do que esperado mudou a trajetória dos títulos americanos. Por lá, o Dow Jones subiu 0,40%, o S&P 500, 0,75%  e o Nasdaq, 0,69%.

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“Hoje, o Federal Reserve reforçou que está preocupado com a possibilidade de a inflação forte persistir ao longo de todo ano e que, mesmo reduzindo o ritmo de alta dos juros, a taxa ainda pode terminar mais alta que o mercado espera e por mais tempo”, expõe Beto Saadia, economista e sócio da BRA-BS.

Entre as maiores quedas do índice, com o temor de juros maiores nos EUA e de menor crescimento global, ficaram os papéis de empresas de commodities e de exportados – as ações ordinárias da SLC (SLCE3) recuaram 1,84% e as da PRIO (PRIO3) tiveram baixa de 0,61%, a R$ 34,09.

O dólar fechou estável frente ao real, com alta de 0,01%, a R$ 5,451 na compra e a R$ 5,452 na venda.

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