Lula: É normal que os partidos queiram participar do governo, mas quem escolhe o Ministério é o presidente

10 months ago 51

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta terça-feira (25), que é “normal” que aconteçam negociações com partidos políticos para que eles façam parte do governo e ajudem a dar maior tranquilidade ao Palácio do Planalto em votações no Congresso Nacional.

As declarações foram dadas durante transmissão ao vivo semanal “Conversa com o Presidente”, transmitida por seu canal oficial no YouTube e redes sociais, e ocorrem em meio ao avanço de negociações entre o governo e figuras do chamado “centrão” em busca de uma base mais sólida nas duas casas legislativas.

Durante a live, Lula, no entanto, disse que não conversa com o “centrão”, mas individualmente com as legendas que integram o bloco informal e reiterou que, embora indicações sejam naturais, a decisão sobre nomeação de ministros é prerrogativa da Presidência da República.

“Lula não conversa com o centrão. Lula conversa com os partidos políticos individualmente. Eu posso conversar com o PP, eu posso conversar com o União Brasil, eu posso conversar com os partidos que são da base, mas eu não reúno o centrão. O centrão não existe. O centrão é o ajuntamento de um grupo de partidos em determinadas situações. Eles nasceram na Constituinte de 1988, que não queriam que a esquerda avançasse muito”, afirmou.

“Eu não quero conversar com o centrão enquanto organização. Eu quero conversar com o PP. Eu quero conversar com o Republicanos. Eu quero conversar com o PSD. Eu quero conversar com o União Brasil. É assim que a gente conversa”, disse.

“E é normal que, se esses partidos quiserem apoiar a gente, eles queiram participar do governo e você tentar arrumar um lugar para colocar… Para dar tranquilidade ao governo nas votações que precisamos para melhor aprimorar o funcionamento do Brasil. É exatamente isso que vai acontecer”, prosseguiu.

Lula ainda chamou de boato notícias de que ele está conversando com parlamentares e dirigentes partidários sobre uma possível participação no governo. “Eu acho plenamente possível. Nós vamos discutir isso nos próximos dias. Não estou preocupado. [Mas] Ainda não fiz nenhuma conversa com ninguém”, disse.

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E reclamou do tratamento dado pela imprensa brasileira a esse tipo de negociação ‒ normalmente chamada de forma pejorativa como “toma lá dá cá”. “Lamentavelmente no Brasil a imprensa trata esse negócio como o ‘é dando que se recebe’. Em qualquer lugar do mundo você faz acordo. Mas aqui no Brasil, tudo é dando que se recebe”, rebateu.

“Eu converso com deputado, eu converso com senador. Eu mandei um projeto de lei, ele não é obrigado a concordar com o meu projeto de lei, ele pode propor mudança. E às vezes a mudança que ele propõe pode melhorar, às vezes pode piorar. Se piorar, eu veto. Se melhorar, fica. É assim que é o jogo. O jogo tem que ser à luz do dia”, concluiu.

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