Receita dos EUA vê empresas de criptomoedas como “parceiras contra o crime”

1 year ago 79

Em conversa com o The Wall Street Journal, publicada nesta terça-feira (3), Thomas Fattorusso expôs os pensamentos de sua agência sobre as criptomoedas. Segundo o agente especial de Investigação Criminal da Receita Federal dos EUA, as empresas de criptomoedas podem ser suas parceiras para combater o crime.

Como destaque, Fattorusso afirma que a contratação de ex-agentes por corretoras de criptomoedas é ótima para estabelecer um canal de contato. Em outras palavras, tais pessoas sabem como o sistema funciona, facilitando a cooperação entre as partes, principalmente por conta da confiança pré-estabelecida.

Apesar de não mencionada por Fattorusso, a Binance é a empresa que mais está dando atenção a este detalhe. Como exemplo, a corretora já possui uma equipe de respeito, contando com BJ Kang, considerado o “homem mais temido de Wall Street”, bem como Tigran Gambaryan, ex-agente da receita federal responsável pelo caso Silk Road.

Já no Brasil, a Binance colocou Henrique Meirelles, ex-Ministro da Fazenda e presidente do BC, no seu conselho global. Mais recentemente, também contratou o sobrinho de Fernando Haddad, atual Ministro da Fazenda como diretor-geral da corretora no nosso país.

Cooperação entre público-privado

Voltando a entrevista de Thomas Fattorusso, o agente da Receita Federal americana afirma que a agência “não pode ser hostil à tecnologia”, apontando que são eles quem precisam de adequar a este novo mundo.

“As criptomoedas vieram para ficar […] e estão se tornando mais legítimas com o passar dos anos […] Meu pensamento é que esses relacionamentos se desenvolverão com o passar dos anos e [à medida que] as empresas se sentirem mais à vontade para lidar com o governo federal.”

Na sequência, o agente é questionado se está recebendo tanta cooperação de empresas cripto como gostaria. Em sua resposta, Fattorusso afirma que estão trabalhando nisso, mostrando que este é um desejo mútuo.

“Isso é algo pelo qual estamos sempre trabalhando. Não posso dizer se estamos recebendo isso ou não, mas esse é sempre o objetivo final, ter essas parcerias e ter um relacionamento que não seja contencioso. Mais de uma relação simbiótica”, comenta Thomas Fattorusso da Receita Federal dos EUA. “Isso os ajuda em sua legitimidade. Esta é uma nova indústria para todos. Acredito que ainda estamos tentando entender o nosso caminho em torno disso.”

Em outro trecho, destaca que algumas pessoas migraram do setor público para o privado, o que está ajudando a abrir janelas para conversas mais amigáveis.

“Agora temos um fluxo aberto ou um diálogo aberto que não tínhamos antes porque não tínhamos um contato lá.”

“Eles vão para o setor privado, voltam para o governo e voltam para o setor privado. Não tem nada de errado com isso. Eles estão ganhando experiência e estão levando essa experiência aonde quer que vão”, completou Fattorusso.

EUA está avançando no campo das criptomoedas

Além da rápida prisão de Sam Bankman-Fried, fundador da FTX, outros grandes casos de 2022 também mostraram o empenho dos EUA em resolver crimes relacionados ás criptomoedas. Como exemplo, uma investigação solucionou um hack de 119.754 BTC (mais de R$ 10 bilhões), prendendo dois indivíduos.

Mais tarde, também apreenderam outros R$ 5,3 bilhões em bitcoin escondidos em uma lata de pipoca, também provenientes de um crime ocorrido há muitos anos. Ou seja, os EUA estão olhando com atenção para crimes com criptomoedas.

Questionado sobre a competência de seus pares, Fattorusso afirma que a Receita Federal americana continua expandindo seu número de funcionários, treinando novos agentes para que eles possam fazer parte da “equipe dos melhores investigadores financeiros”.

“Mas muitos deles têm formação técnica. Eles são mais jovens. Eles cresceram no mundo da tecnologia”, comenta Fattorusso. “Às vezes é difícil competir com empresas privadas. Mas há quem queira dedicar a vida ao serviço, que queira combater a fraude, que queira fazer o trabalho de aplicação da lei.”

Por fim, podemos esperar que a Receita Federal dos EUA, junto a outros órgãos estatais, dificultem ainda mais a vida de criminosos nos próximos anos. Contudo, é difícil imaginar que eles tenham um ano tão glorioso quanto o de 2022.

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