Sobram poucos argumentos para BC não fazer corte de 0,50 na Selic após IPCA-15, avalia gestor

9 months ago 47

A divulgação de um Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) abaixo do esperado e com uma composição melhor ajudaram a reforçar a visão de que o Banco Central deve adotar um corte mais agressivo de juros na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da próxima semana.

“Sobram poucos argumentos para o BC não começar o corte com 0,50 ponto”, afirmou o sócio-fundador e diretor de investimentos da Persevera, Guilherme Abbud.

Antes da divulgação do IPCA-15, agentes mostravam certa divisão sobre a intensidade do início do ciclo de corte de juros pelo Banco Central.

Na segunda-feira (24), no mercado de opções digitais da B3 (ou opções de Copom), o mercado precificava uma probabilidade de 47% de um corte de 0,5 ponto percentual na Selic na reunião de agosto, contra uma chance de 46% de queda de 0,25 ponto percentual.

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Na visão do diretor da Persevera, uma redução de 0,50 ponto agora ganha força após o IPCA-15, já que a Selic está tão alta que há pouco “sentido econômico” em realizar um corte de 0,25 ponto na reunião.

“Uma queda de 0,25 em cima de uma Selic de 13,75% é meio que nada. Demoraria mais 45 dias para vir o próximo corte. Acho que o BC começará com 0,50, apesar de não ser o costume”, diz.

Melhora nos dados do IPCA-15

O executivo afirmou que o resultado de -0,07% do IPCA-15 de julho, contra 0,01% esperados pela mediana do mercado, evidenciou mais um mês de surpresa baixista e com uma média dos núcleos menor. Foi a primeira variação negativa do indicador desde setembro de 2022, quando o índice caiu 0,37%.

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Ao olhar para a média móvel de três meses do núcleo sazonalizada e anualizada, Abbud destaca a tendência de queda no indicado, que estava em 4,90% e agora chegou a 3,60% pelas contas da casa.

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Também houve uma melhora nos dados de inflação de serviços, que agora estão em 0,36% nos cálculos da Persevera – abaixo do esperado por economistas que estavam com projeções entre 0,38% e 0,50%, lembra Abbud.

Após nove meses no campo positivo, a prévia da inflação oficial registrou uma queda de 0,11 ponto percentual em relação à taxa do mês anterior (0,04%). No ano, há alta acumulada de 3,09% e, em 12 meses, de 3,19%. As informações foram divulgadas nesta terça-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O principal fator para esse resultado, segundo o IBGE, veio da retração nos preços da energia elétrica residencial (-3,45%), após a incorporação do Bônus de Itaipu, creditado nas faturas de julho.

Além da energia elétrica residencial (-3,45%), o Instituto informou que a queda nos preços do botijão de gás (-2,10%) influenciou a retração do grupo Habitação (-0,94%), um dos que mais impactaram o índice geral. Já a taxa de água de esgoto (0,20%) está entre os itens que subiram.

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Juros

Nos cálculos da Persevera, a inflação cheia deve encerrar este ano em 4,5% e a casa espera que a Selic recue para 11%, abaixo do esperado pelo mercado no Boletim Focus, que projeta a taxa básica de juros em 12% ao fim de 2023.

Já para o próximo ano, a casa não descarta que a Selic caia para algo perto de 7% a 8% e que o IPCA fique em 3%, ou até abaixo.

“No começo do ano que vem, acreditamos que a atividade vai fraquejar mais do que o esperado e a inflação também vai cair além do previsto. O BC vai ver que exagerou na dose e terá que cortar mais”, alerta o profissional.

De olho em um ciclo de cortes mais agressivo, o gestor disse que a casa vem aumentando a alocação aplicada (que se beneficia da queda dos juros) em Brasil. “É verdade que o mercado já fechou taxa, mas quando olhamos para frente, vemos uma expectativa para uma queda mais forte da Selic, chegando talvez até 7%”, diz.

Apesar da entrada de dois novos diretores no Banco Central, Gabriel Galípolo e Ailton Aquino, com perfil que tende a ser mais favorável a cortes de juros, o sócio da Persevera avalia que não haverá tanta divergência no Comitê do Política Monetária (Copom) do Banco Central.

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“A situação seria mais explícita se estivéssemos falando de uma batalha de cortar ou não cortar. O tão desejado ciclo de corte está começando. Não precisa ter uma batalha sangrenta”, defende o profissional.

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