Vítima de tráfico humano foi obrigado a dar golpe com criptomoedas

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Histórias sombrias de tráfico humano e fraude financeira começam a surgir das sombras, revelando uma realidade perturbadora que muitos não conseguem imaginar. Uma dessas histórias é a de ‘John’, um homem malaio cuja busca por oportunidades de trabalho o levou a um pesadelo.

Durante uma entrevista à CBC, o homem detalhou como viu um anúncio de emprego no Facebook, mas acabou sendo preso na Camboja, onde foi obrigado a enganar pessoas na internet, sob ameaça de ser espancado e levar choques.

O malaio foi atraído com a promessa de um trabalho em um cassino e acabou ficando preso por quatro meses, com seu passaporte confiscado e instruído a atrair investidores canadenses e de outros países de língua inglesa para uma plataforma de investimento fraudulenta em criptomoedas.

“Se não seguíssemos as ordens, enfrentaríamos espancamentos ou choques elétricos“, contou ele à CBC.

O esquema em que ele foi forçado a trabalhar é conhecido como “golpe de abate de porcos”, uma tática cruel onde os golpistas cultivam um relacionamento ou amizade online para ganhar a confiança de suas vítimas antes de convencê-las a investir em plataformas de criptomoedas fraudulentas.

As vítimas são persuadidas a investir mais e mais dinheiro, vendo seus “investimentos” crescerem em plataformas de investimento falsas, até que os golpistas desaparecem com todo o dinheiro, deixando para trás nada além de perdas financeiras devastadoras.

Vítima de tráfico humano foi forçada a dar golpe com criptomoedas

O homem disse que tudo começou quando foi despedido do seu emprego num casino cambojano em 2020 e forçado a voltar para a Tailândia, onde morava.

Depois de quatro meses sem trabalho, ele ficou desesperado e viu um anúncio online de um cassino que prometia um emprego com todas as despesas pagas.

Pouco tempo depois de chegar ao local, ele foi trancado numa sala e teve o seu passaporte confiscado. Enquanto estava no Camboja, foi forçado a atacar canadenses e outros ocidentais de língua inglesa em fraudes de criptomoedas destinadas a roubar suas economias.

“Estávamos sempre no quarto andar para comer, trabalhar, dormir, tomar banho”, disse ele, que alertou os outros para terem cuidado ao aceitar um trabalho que parece ser bom demais.

“Depois que você entrar no complexo fraudulento, essa pode ser a sua vida – acabada.”

Ameaças

Ao ser obrigado a dar golpes com criptomoedas, o homem disse que seus chefes eram implacáveis. Ele afirma que era obrigado a atrair pelo menos 15 novas possíveis vítimas por dia e que, se não conseguissem dinheiro suficiente com elas, seus chefes os ameaçavam.

Ele disse que tentou ser sutilmente ruim em fraudes, mas havia sérias consequências em sabotar o esquema.

“Eles não se importam com o sentimento da vítima — eles não se importam com nada”, disse ele.

“Vi um dos [trabalhadores] vietnamitas sendo espancado de forma terrível… Acabei de ver sangue por todo o corpo”, disse. “[Ele] estava usando o computador de outro funcionário para dizer [à vítima]: ‘Não invista neste site, porque este site era uma farsa’ — então ele tentou informar à vítima que era um investimento falso.”

Outra vítima de tráfico (não John) sofreu ferimentos devido a abusos físicos que sofreu num complexo em Myanmar, onde foi forçado a participar num esquema cibernético. (Enviado pela Missão de Justiça Internacional)Outra vítima de tráfico (não John) sofreu ferimentos devido a abusos físicos que sofreu num complexo em Myanmar, onde foi forçado a participar num esquema cibernético. (Enviado pela Missão de Justiça Internacional)

O homem diz que foi tratado melhor do que os outros porque falava três idiomas, o que o tornava mais valioso. Ainda assim, ele estava determinado a fugir do local o mais rápido possível.

Ele afirma que usou um aplicativo de mensagens para pedir ajuda em seu telefone, mas seus chefes o pegaram e venderam John para outra empresa fraudulenta por US$ 11.000.

Enquanto trabalhava na nova empresa, o homem tentou pedir ajuda novamente por meio de uma conta falsa no Twitter/X. Desta vez, ele chegou à Missão Internacional de Justiça (IJM), uma organização sem fins lucrativos com sede em Washington, DC, que trabalha para libertar pessoas do tráfico humano.

Jake Sims, diretor nacional do IJM, viu o pedido de ajuda de John e conseguiu resgatá-lo, trabalhando com as autoridades para tirá-lo de lá.

A operação desses esquemas fraudulentos no Camboja destaca a complexa rede de tráfico humano e fraude que se aproveita tanto dos trabalhadores quanto das vítimas dessas fraudes.

Enquanto algumas vítimas buscam recuperação, a luta contra esses crimes cibernéticos continua, com apelos por mais ações das plataformas de mídia social, instituições financeiras e autoridades para combater essas operações.

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