Volta por cima? Após anos difíceis da pandemia, FIIs de shopping são os de maior retorno em 2022; Ifix sobe

1 year ago 124

O ano de 2022 marcou uma espécie de volta por cima dos fundos imobiliários do segmento de shoppings e varejo. Após enfrentar uma série de obstáculos com as restrições de circulação impostas pela pandemia ao longo de 2020 e 2021, os FIIs desse segmento foram destaque em retorno ao longo do ano passado.

É isso o que aponta relatório do Santander divulgado nesta semana. Segundo o documento, os FIIs de shopping e varejo avançaram 7,33% em 2022 e desbancaram fundos de recebíveis – ou de “papel”, como também são conhecidos – que apresentaram retornos de 3,78%. O segmento foi o de melhor desempenho entre os fundos imobiliários.

A rentabilidade oferecida pelo segmento também ficou acima dos ganhos obtidos pelo Ifix – índice que reúne os fundos imobiliários mais negociados na B3 – que terminou em 2,22% no mesmo período.

Rentabilidade dos FIIs por segmento em 2022

Setor Retorno (%)
Shoppings/varejo7,33%
Híbridos4,50%
Recebíveis Imobiliários3,78%
Fundos de fundos3,43%
Logístico/industrial3,02%
Ifix2,22%
Outros-1,37%
Escritórios-3,69%

Fonte: Santander 

Especialistas acreditam que 2023 pode ser novamente positivo para fundos de shopping, mas não negam que o cenário macroeconômico é desafiador, diante da queda real do salário da população e do maior endividamento das famílias.

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Relatório divulgado pela XP com as perspectivas para o novo ano indica que os indicadores de circulação de pessoas e vendas nos shoppings podem crescer em 2023, mas em ritmo mais normalizado em relação ao observado no ano passado, caracterizado como um ano de retomada.

No documento, Ygor Altero, head de Real Estate, afirma que a manutenção da tendência positiva nos shoppings deve ser impulsionada pela continuidade da recuperação do fluxo de pessoas, aumento do tempo de permanência nos shoppings e melhora no fluxo de veículos, que ainda estão abaixo dos níveis de 2019.

“Continuamos vendo resiliência nos portfólios de alto padrão em 2023, aumentando o ticket médio e impulsionando o volume de vendas, apesar do menor poder de compra do consumidor, dado o cenário macro desafiador”, observa Altero.

Como a perspectiva é mais favorável para portfólios compostos por shoppings dominantes, eles são a preferência de Maria Fernanda Violatti, analista de fundos listados da XP.

E a melhora nas vendas deve se refletir nos dividendos oferecidos aos cotistas. “É esperado um aumento nos proventos pagos por esses fundos em 2023, possivelmente levando a um dividend yield [retorno com dividendos] acima da média dos FIIs integrantes do Ifix”, avalia.

Apesar de acreditar que o segmento deve apresentar indicadores positivos, a preferência da analista está nos fundos de papel, que devem se beneficiar de um cenário de juros elevado e manutenção das pressões inflacionárias.

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Ifix hoje

Por volta das 10h45 desta terça-feira (3), o Ifix operava próximo da estabilidade, aos 2.865 mil pontos, com leve alta de 0,15%. Confira as maiores altas e baixas de hoje:

Maiores altas desta terça-feira (3):

TickerNomeSetorVariação (%)
(HGBS11)Hedge Brasil ShoppingShopping/varejo1,68
(KFOF11)Kinea FIIFoF1,54
(KNRI11)Kinea Renda ImobiliariaHíbrido1,27
(XPLG11)XP Log FIILogístico1,22
(LVBI11)VBI LogísticoLogístico1,19

Maiores baixas desta terça-feira (3):

TickerNomeSetorVariação (%)
(FIIB11)Industrial do BrasilLogísticos-3
(GTWR11)Green TowersLajes comerciais-1,81
(RVBI11)Vbi ReitsFoF-1,49
(AFHI11)AF Invest CriRecebíveis Imobiliários-1,06
(VISC11)Vinci Shopping CentersShopping/varejo-0,85

BTRA11 vende imóveis da Fazenda Vianmancel por R$ 94,5 mi; locatário inadimplente causa perda ao VLOL11

Confira as últimas informações divulgadas por fundos imobiliários em fatos relevantes:

Locatário inadimplente do VLOL11 causa perda de R$ 0,03 por cota na receita

Um locatário do setor de consultoria do Vila Olímpia Corporate FII (VLOL11) ficou inadimplente, o que provocará uma perda de aproximadamente R$ 0,03 por cota na receita do fundo recebida em dezembro de 2022.

Segundo comunicado do FII, a gestora (RB Capital) e a administradora (Oliveira Trust) estão tomando as medidas cabíveis para a cobrança e a preservação dos interesses dos cotistas, além de buscar a regularização do atraso do locatário “com a maior brevidade possível”.

BTRA11 vende imóveis da Fazenda Vianmancel por R$ 94,5 milhões

O BTG Pactual Terras Agrícolas (BTRA11) encerrou a venda de imóveis da Fazenda Vianmancel, de propriedade do fundo. Localizada em Nova Maringá, em Mato Grosso, a fazenda foi negociada por R$ 94,5 milhões.

O pagamento envolve um sinal de R$ 16,5 milhões, já recebido, e 16 parcelas semestrais de R$ 4,875 milhões. Segundo comunicado pelo fundo, a venda dos imóveis não impacta no arrendamento vigente e na produtividade das terras em andamento.

O BTRA11 adquiriu a fazenda em agosto de 2021, em uma operação sale-leaseaback, que prevê o aluguel do imóvel comprado para o ex-proprietário – no caso, o grupo Cella. Em junho, porém, o locatário pediu recuperação judicial, o que levantou uma série de questionamentos sobre o contrato firmado entre as duas partes.

Em julho, o fundo conseguiu na Justiça, em decisão liminar, a reintegração de posse do terreno, finalizada em outubro – quando também houve a troca do inquilino. Entre outros pontos, alegava que o espaço estava sendo utilizado por terceiros e que uma das remunerações previstas no contrato – equivalente ao aluguel – não foi paga.

HGRU11 vende loja locada para Pernambucanas com ganho de 37% sobre investimento

O CSHG Renda Urbana (HGRU11) vendeu uma loja atualmente alugada pela Casas Pernambucanas em Goioerê, no Paraná, por R$ 3,975 milhões. O pagamento envolve uma parcela – já quitada – de R$ 1,988 milhão e mais seis prestações mensais de R$ 331, 3 mil, corrigidas por uma taxa mensal de 0,5%.

O valor negociado no imóvel equivale a R$ 4.453,61/m². Ele foi adquirido em novembro de 2020, somando um investimento total do fundo de R$ 2,9 milhões – ou R$ 3.260,76/m².

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“Com isso, o negócio gerará, conforme o fluxo de recebimento das parcelas, um lucro em regime de caixa, sem considerar as correções previstas nas parcelas, de R$ 1.064.766,54 , equivalente a aproximadamente R$ 0,06/cota”, informou o HGRU11.

Segundo o fundo, o preço de venda da loja é 37% superior ao valor investido, 24% superior ao valor de laudo do imóvel em 2022 e 33% superior ao de 2021. A taxa interna de retorno anualizada da transação é de 20,3%.

Giro Imobiliário: maior transação de shopping em 2022 foi de R$ 667 milhões

Levantamento feito pelo Sistema de Informação Imobiliária Latino-Americana (SiiLA) apontou as três maiores transações de shoppings feitas ao longo de 2022.

No topo da lista está a transação em que a Iguatemi S.A comprou 36% do shopping JK Iguatemi pelo valor de R$ 667 milhões. A análise indicou um cap rate estabilizado estimado em 7%. O negócio ocorreu em setembro do ano passado.

A segunda maior transação envolveu a compra de 51% do shopping Pararela, em Salvador, e de 100% da área de expansão do ativo pela HSI Malls FII. A fração foi vendida pelo valor R$ R$ 432,7 milhões e a negociação ocorreu em janeiro de 2022.

Já a terceira maior transação envolveu a compra de 49,9% do Diamond Mall, localizado em Belo Horizonte, em agosto de 2022. Na época, a Multiplan comprou parte do shopping por R$ 340 milhões.

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